Levando adiante uma tradição que ultrapassa três décadas, os Ex-Seminaristas Franciscanos da Província da Imaculada Conceição, realizaram mais um de seus Encontros Bienais. Como sempre, foi no Seminário Santo Antônio, em Agudos/SP, entre os dias 29 e 31 de janeiro de 2016. Desta vez se congregaram 115 Ex-Seminaristas e familiares, num total de 210 participantes, de várias regiões do Brasil. A dinâmica do evento proporcionou momentos de confraternização, lazer e oração, para todos.

Acompanhe, a seguir, os cenários, a atmosfera e os principais momentos que envolveram a programação da grande festa.

 

 

SEMINÁRIO

Na Igreja Católica, o Seminário é a instituição educacional que se dedica à formação de seus sacerdotes. No caso dos franciscanos, isso é trabalhado dentro do modelo deixado por Francisco de Assis, com nada menos de oito séculos de experiência. É o local que acolhe e cultiva a vocação sacerdotal de seus alunos. É o lugar onde se formarão estudando, adquirindo cultura, praticando esportes, trabalhos manuais, convivendo em fraternidade, tanto no lazer como na oração.

A partir deste ponto, contaremos com a ajuda de alguns frades franciscanos, detentores de autoridade e familiaridade, para nos ciceronear pelas dependências e história do maior estabelecimento, destinado à formação de seminaristas, em toda a América Latina: O Seminário Santo Antônio de Agudos/SP.

 

Frei Fidêncio Vanboemmel, Ministro Provincial, no ano de 2010, por ocasião da comemoração dos 60 anos de existência, apresentava o Seminário de Agudos como sendo um “Jardim de Deus”, explicando:

Para São Francisco de Assis, o Jardim de Deus é o “Mundo Universo”. Neste grande Jardim de Deus, contudo, existem canteiros cuidadosamente construídos, harmoniosamente planejados, laboriosamente fecundados para que sementes escolhidas ali possam germinar, crescer e produzir bons frutos. E um desses canteiros do Jardim de Deus é o Seminário Santo Antônio de Agudos.

E o Provincial ainda agradece a Deus:

Por todas as sementes, razão de ser desse Jardim de Deus, que ali foram semeadas, cultivadas, fecundadas, podadas, instruídas e que hoje, como frades menores e leigos, em diferentes partes do “Mundo Universo”, dão testemunho e são porta-vozes do Filho de Deus.

Quem arremata, confirmando as palavras de Frei Fidêncio é Frei Walter Hugo de Almeida, ele próprio uma espécie de símbolo e síntese do circuito completo como aluno, professor e Reitor do Seminário de Agudos:

O Seminário Santo Antônio é um “Jardim de Deus”, onde se cultivam essas vocações, para atuar no Reino de Deus. Formadores, orientadores, professores, irmãs franciscanas, leigos, funcionários; todos nós idealistas, aqui nos dedicamos com a mesma finalidade: formar novos missionários do Reino de Deus, inspirados nessa espiritualidade franciscana, de 800 anos de história.

Frei Walter Hugo de Almeida também é coautor e completou, em 2010, o livro “Jardim de Deus” que começou a ser escrito por Frei Marino Prim (falecido). Da obra desses dois frades, saíram os principais dados históricos sobre Agudos, na continuação…

 

Frei Walter Hugo de Almeida (Turma de 1959): Um dos participantes do Encontro / 2016.

Frei Walter Hugo de Almeida (Turma de 1959):
Um dos participantes do Encontro / 2016.

 

O Seminário Santo Antônio, de Agudos, construído em pleno sertão paulista, começou sua missão de ensinar, em 1950. No primeiro dia de fevereiro, às 10 hs da noite, chegava à estação da cidade, um trem com dois vagões extras de passageiros, lotados com 70 seminaristas e 4 frades franciscanos. Eles vinham de mudança, do Seminário de Rio Negro, na fronteira do Paraná com Santa Catarina.

A nova casa já estava praticamente pronta, mas nas primeiras semanas, as caixas em que vinham os ladrilhos de São Paulo, ainda serviam de bancos ou prateleiras de biblioteca. Três semanas depois da chegada, as aulas começaram.

Na I Ala, a única operacional, todos foram se ajeitando da melhor forma possível. Em 1951 começou a construção da II Ala e em 1953 Agudos já contava 210 Seminaristas. A III Ala e a Igreja ficaram prontas em 1954. No ano seguinte, as principais obras restantes davam forma quase definitiva ao grandioso seminário. Algumas poucas realizações que hoje chamam a atenção ficaram para depois, sendo refinadas com mais vagar. Os campos de esporte foram ajeitados pelos próprios alunos à base de enxadões e carrinhos de mão e o mesmo valeu para a piscina, um gigantesco buraco escavado por grupos de seminaristas, durante as férias do meio do ano de 1959, quando somente se ia visitar a família nas férias do final do ano.

Desta fase pioneira, alguns freis, entre dezenas, se destacam na galeria de lembranças e feitos: Heliodoro, Rufino, Onésimo, Ludovico, Walter, Hildebrando, Gregório, Tadeu…

 

Nos estudos a preocupação maior foi a de manter o mais alto nível. A formação ampla dos seminaristas estudantes, nos principais campos culturais, estava entre as prioridades. Foi montada uma banda de música e uma orquestra para concertos. O teatro, por sua vez, sempre foi o xodó de frades, professores e estudantes. Mesmo antes da existência do Salão Nobre, considerado o auditório com melhor acústica no Estado de São Paulo, já se montavam peças no palco existente no enorme refeitório. Um dos motores e introdutores dessa febre por teatro foi o professor e intelectual requintado, Frei Hugo Baggio. Ele conseguia transmitir tal entusiasmo que, durante anos, cada Ala teve seu próprio palco, para pequenas peças de todo o tipo. O intercâmbio com outras trupes teatrais, de folclore e shows, tanto do Brasil como internacionais, também foi muito intensa. Havia grêmios literários e publicações de jornais internos. A Biblioteca Geral tinha 30.000 volumes, com ênfase no clássico e humanismo. Além disso, cada professor possuía em seu quarto, uma pequena biblioteca específica, para melhor preparar as aulas. O esporte e o trabalho também faziam parte da formação. Em paralelo a animados campeonatos de futebol ou diversificadas olimpíadas, os alunos plantavam árvores, roçavam ervas daninhas ou participavam de outras ocupações variadas, de limpeza e conservação.

Eram muitas as formas de praticar e complementar a formação franciscana – religiosa – humana, ensinada nas salas de aula e em detalhes diversos do dia a dia.

No ano 1966 o Seminário Santo Antônio atingiu seu recorde de seminaristas: 355. Lotação acima da capacidade planejada para 300.

 

Logo após o Concílio Vaticano II, em meio às profundas e variadas modificações e adaptações porque passou a Igreja, em todo o mundo, o número de seminaristas começou a decair. Em 1968 o Seminário começou a aceitar nas aulas, alguns rapazes de Agudos e redondezas. Em 1975 já eram 36.

A diminuição cada vez mais acentuada no número de alunos obrigou o Seminário a ajustar-se às novas realidades. Hoje está adaptado para receber pessoas ou grupos, para Retiros e Encontros variados, de modo a continuar servindo a Igreja, bem como a sociedade em geral.

 

 

ENCONTROS

Agudos, uma modesta cidade, de 118 anos, fica no centro-oeste do Estado de São Paulo, a 330 km da capital. É conhecida também como “Açucena da Serra”, pela beleza de suas paisagens. A qualidade da água das inúmeras fontes naturais, existentes no aquífero Guarani, é famosa em todo o Brasil, principalmente entre os apreciadores das cervejas produzidas nas fábricas agudenses. O clima da região é ameno e as atividades preponderantes entre os 37.000 habitantes, gira em torno da agricultura, pecuária e algumas indústrias.

 

O complexo do Seminário Santo Antônio, um dos pontos de referência mais conhecidos pela população, fica próximo do centro urbano e está relacionado no Circuito Turístico da Região.

Atualmente, o Seminário de Agudos se encontra adaptado aos novos tempos de Encontros, após profundas reformas nas antigas Alas, que somaram à velha hospedaria, um grande número de novos apartamentos e instalações diversas.

O conjunto total de prédios, em arquitetura semicolonial segue majestoso, mas inspirando simplicidade, com longos corredores de arcadas romanas e incontáveis pátios internos ou externos. A arborização e os jardins do entorno, encantam a todos. Os bosques vizinhos são cheios de trilhas onde se pode ouvir o canto suave de muitos tipos de pássaros, em contrapartida ao das barulhentas maritacas.

Construído dentro da Fazenda Santo Antônio, o Seminário oferece tranquilidade e paz. A fazenda continua com seu gado, porcos e mel, agora sem as grandes hortas e o maravilhoso pomar que deu lugar a onipresentes eucaliptos.

É neste “um pouco novo”, mas sempre doméstico e prazeroso ambiente, que os ex-alunos encontristas vêm relembrar os tempos idos da formação recebida no Seminário de Agudos. De dois em dois anos, aí se reúnem, acompanhados de familiares ou amigos, para matar as saudades dos bons momentos vividos naquela casa. Foram mais de 4000 ex-alunos que, nas palavras do Ex-Guardião Frei Rafael Spricigo:

Daqui levaram o selo da cultura e a graça do carisma franciscano.

 

A idealização para um encontro de ex-seminaristas franciscanos, surgiu em 1982, por ocasião da preparação das comemorações do 8º Centenário do Nascimento de São Francisco. Seria em Agudos, lá para o começo de fevereiro de 1983.

Instalou-se uma Secretaria Geral em Curitiba/PR, composta por Frei Agostinho Piccolo e os Ex-Seminaristas: Bonifácio Watanabe e Daniel Cavalli. Em agosto de 1982 foi enviada a primeira carta-circular que anunciava:

Com alegria lhe comunicamos o plano de realização de um grande ENCONTRO DE EX-SEMINARISTAS FRANCISCANOS, principalmente dos saudosos anos de Rio Negro e Agudos. É desejo antigo e concretiza-se com felicidade no 8º Centenário do Nascimento de São Francisco de Assis, o Irmão Universal, o Santo da Paz.
Marque logo na sua agenda, presenteie-se e presenteie outros com a alegria do encontro de velhos Amigos, Professores, Prefeitos, Orientadores dos Seminários de São Luís de Tolosa (Rio Negro) e Santo Antônio (Agudos).

Nas informações gerais a missiva ressaltava que o evento se direcionava para:

… Ex-Seminaristas nossos, com programa próprio que recorde a vida do Seminário: Alojamento nos dormitórios, serviços no refeitório, celebrações, jogos, etc…

Outra carta-circular de novembro de 1982 complementava:

Lá estaremos e encontrar-nos-emos, com velhos amigos como Frei Onésimo Dreyer, Frei Tadeu Hoennighausen e outros “velhos mais novos”.

Um dos lembretes destacava a necessidade de:

… levar fronha e lençol, toalha e material para esporte e banho.

O que aconteceu nesse primeiro Encontro de 1983 foi espetacular sob todos os aspectos e continuou a se reproduzir até o 2016, com pequenas variações na essência: organização, pessoal, comparecimento, tomadas de posição, relacionamentos, recordações, etc. Tudo muito bonito. Um reviver sem saudades doentias, sem amargores, mas construtivo e alegre, onde cada um se encontra com a turma de várias faixas etárias, contando suas experiências e realidades atuais, suas decepções e prometendo colaborar para que aconteçam mais destes encontros e para que o grupo não se perca no grande mundo e os interesses do seminário, continuem a ser de todos.

Do primeiro aos últimos encontros, os participantes parecem unânimes na aprovação, com várias graduações. A título de curiosidade, foi pesquisado um bom número de Ex-Seminaristas, presentes em 1983 e que, com assiduidade variada, também apareceram nos últimos reencontros. A palavra final, naturalmente, fica com cada um deles…

  • Bonifácio Watanabe
  • Daniel B. Cavalli
  • Galdino Zella
  • Fabiano Oleskovicz
  • Nereu Milaneze
  • Ubiratan Gomes (relacionado como Frei, naquela época)
  • Alfredo Scottini
  • Fiorello Nones
  • Paulo Lorenzet
  • Marcio Janes
  • João F. Laginski
  • João D. Koerich
  • Lourival Busarello
  • Osmar Leonardo Kuhnen
  • Ivo Mário Klein
  • José J. Medeiros
  • Ivo Zimmermann
  • E outros…

Por uma questão de tempo / espaço / oportunidade fica aqui, como exemplificação, o registro formalizado, em tempo, pelo assíduo encontrista Galdino Zella:

Participei do Encontro em 1983. Se não me falha a memória foi o primeiro. Fomos num micro-ônibus, daqui de Curitiba. Naquele ano, Frei Agostinho Piccolo, que era Reitor do Colégio Bom Jesus, incentivou muito a ideia dos encontros.

 

De Curitiba, Daniel Cavalli, Nereu, meu tio Fabiano Oleskovicz de Canoinhas/SC e mais alguns é que fomos. O coordenador, inicialmente era o Alfredo Scottini, Fiorello, de Blumenau.

 

Foi muito bom!!!

Por oportuno, fica aqui o convite, àqueles que desejarem,
para que deixem suas bem-vindas considerações / mensagens / comentários,
no local para isso disponibilizado, ao final da matéria.

 

LAZER

  • 28/01/2016 – Quinta-Feira:

Dia preparatório para alguns poucos encontristas, principalmente os encarregados da coordenação. Eles chegam a Agudos, antes do início da programação oficial, para adiantar inúmeras providências exigidas pela logística do evento.

O destaque do dia, para os mais atarefados, ficou com uma dupla: O incansável, solícito e sempre sorridente Márcio Gapski, juntamente com sua van milionária (em quilometragem), dando carona aos que chegavam à Rodoviária de Agudos; fazendo compras nos supermercados ou abastecendo os arremedos de cantinas, estrategicamente localizadas, para atendimento dos encontristas.

Para os menos ocupados, sobrou um final de tarde tranquilo. Próprio para passeios, ao longo dos ilimitados gramados e jardins, quase ou totalmente solitários; para momentos de recolhimento e oração na capela silenciosa ou até para a tomada de vídeos e fotos, de um admirável pôr de sol agudense.

 

  • 29/01/2016 – Sexta-Feira:

O dia começou tranquilo, com o café da manhã, para um escasso grupo, no imenso refeitório. Logo, porém, começou a acolhida aos chegadiços. Pela meia manhã o burburinho foi aumentando gradativamente. Novas turmas se apresentavam e na hora do almoço já se contavam vários grupamentos, intercambiando apresentações e histórias.

Percebiam-se e registravam-se sentimentos diversos: Saudades nos retornos, após dois anos, um pouco mais ou também de muitas décadas; euforia nas sensações de emoções visuais e até olfativas; nostalgia ao constatar algumas mudanças, como as grades de ferro, nos acessos externos às Alas; tristezas também, pelo grande pomar desaparecido… Todavia, no balanço final declarado pela maioria, prevaleceu a alegria…

No almoço informal e alegremente barulhento, os Ex-Seminaristas e familiares já ocupavam quase todo o espaçoso refeitório. As manifestações explícitas das amizades iam modelando a composição das mesas e seus comensais, como imensa família em festa.

Ia terminando a refeição, quando o Coordenador Geral do Encontro, o multitarefa e comunicativo, Ubiratan Gomes, o “Bira”, microfone na mão, deu início a seu rol de truques, instando os nascidos na década de 1940 a levantarem a mão. Em seguida convidou-os a se dirigirem à cozinha, para… enxugarem louça e talheres. Como dinâmica de grupo isso tinha sua lógica, pois em meio à algaravia da força-tarefa, algum contemporâneo ainda não encontrado, poderia ser o enxugador de garfos, bem ao lado…

Durante a tarde o programa previa tempo livre para esportes, jogos de mesa, piscina, ensaios, passeios na fazenda, etc.

Às 18:00 hs aconteceu a primeira das duas missas celebradas durante o Encontro e logo após o jantar, servido às 19:00 hs, organizou-se o barulhento desafio de truco, canastra, pingue-pongue, etc. Para os sossegados ficou a continuação ou início de papos, intermináveis papos. Já para os mais boêmios era a hora de preparar repertório e afinar instrumentos para a aguardada Roda de Viola. A cantoria foi animada e se prolongou, reverberando intrusamente até de madrugada, pelos corredores do Convento e Alas.

 

  • 30/01/2016 – Sábado:

Como em todos os dias, as atividades da programação eram de caráter optativo. Assim, quem quis e foi fazer a sua oração das 8:00 hs na capela, bem como o café da manhã às 8:15 hs, também poderia participar, às 9:00 hs, de uma Mesa Redonda, com reflexões sobre a Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco (assunto a ser retomado mais adiante).

O dia chuvoso não atrapalhou o almoço, um grande e informal churrasco, assados sob uma tenda, montada no pátio interno, entre a antiga Sala de Estudos da I Ala e a capela, ao lado do refeitório. A churrascada transcorreu em alegria, aprovada com louvor, já a partir dos petiscos de entrada, regados a cerveja, caipirinhas e uma elogiadíssima cachaça amarelinha, produzida e oferecida por um Ex-Seminarista, de Gaspar/SC.

 

Pela tarde, depois das visitas ao Museu e outras dependências, estava previsto, às 18:00 hs, um Santo Terço, com Procissão, até o Cemitério, em homenagem aos frades falecidos, terminando na Gruta de Nossa Senhora.

Ocorreu, no entanto, uma mudança, a pedido de um grupo de Santa Catarina que precisaria antecipar o retorno às cidades de origem. Assim, a Missa de Encerramento (também este assunto terá continuação mais adiante) que aconteceria no domingo, foi antecipada. O mesmo valeu para a foto oficial do Encontro.

À noite, depois do jantar, no palco do Salão Nobre ocorreu um Show de Talentos com músicos, declamadores e uma mais que improvisada comédia teatral onde a parte que mais provocava risos era o total desacordo nos ruídos e efeitos especiais do contrarregra.

Finalizando a noite, a confraternização seguiu até tarde com os grupos ao redor de mesas espalhadas pelos corredores.

 

  • 31/01/2016 – Domingo:

Em virtude das alterações na programação da véspera, a debandada do retorno começou logo cedo, após o café da manhã.

O almoço já foi servido num pequeno refeitório, anexo ao principal, para os poucos encontristas remanescentes.

Ao final do dia, somente duas pessoas restavam para pernoitar. Eram o coordenador para a região de Santos-SP, Mario Dias Caldeira Filho e sua esposa Nilda. Para o casal, a segunda-feira, 01/02/2016, reservava uma regalia exclusiva: Toda a vastidão do Seminário Santo Antônio de Agudos, só para eles. E eles adoraram a rara experiência.

01/02/2016:
Casal privilegiado.

 

 

ESPIRITUALIDADE

Impressões coletadas entre os encontristas, mostram com nitidez variada, que na grande maioria, permanece um sentimento de agradecimento, tanto ao franciscanismo estruturado no Seminário de Agudos, como aos grandes mestres, pelos ensinamentos recebidos: De vida, cultura ou fé religiosa.

Frei Nelson José Hillesheim, orientador espiritual da Fraternidade de Ex-Seminaristas, foi burilado em Agudos, primeiro como aluno, depois como professor. Especialista em Educação Franciscana, hoje ele dirige o Centro Universitário – FAE de Curitiba/PR e oferece algumas pistas explicativas ao comentar que o diferencial da Educação Franciscana é a formação humanista que leva em consideração a contribuição verdadeira com a sociedade. Uma formação com virtudes e atitudes transformadoras da sociedade, gerando dessa forma, um ser humano novo.

Acondicionados nesse contexto, a cada Encontro bienal, variados capítulos da espiritualidade franciscana se revezam, atualizam ou renovam.

Em 2016, alguns momentos ou temas se destacaram:

 

  • Encíclica Laudato Si’:

Na parte da manhã de Sábado, dia 30, com elevado número de participantes, realizou-se uma espécie de Mesa Redonda, para reflexões sobre a segunda Encíclica do Papa Francisco que, na denominação do cardeal franciscano D. Claudio Hummes “é um jesuíta com coração franciscano”.

A justa qualificação começou quando o Pontífice recém-eleito fez a inédita escolha do nome a usar e vem se repetindo, constantemente, em outras simbologias e exemplos concretos de comportamento franciscano.

Talvez a Encíclica Laudato Si’, seja uma das amostras mais categóricas. Não só por sua essência e origem, ortodoxamente franciscana, mas também pela colaboração direta, na redação, de intelectuais seguidores de Francisco de Assis. Um dos nomes mais comentados nas especulações é o do Ex-Frei, também Ex-Seminarista de Agudos, Leonardo Boff. Em sua introdução, antes dos debates, o orientador espiritual do encontro, Frei Nélson Hillesheim comentou que a julgar pela repercussão mundial, o documento possa se transformar no mais importante da Igreja, nos últimos 100 anos.

Na Encíclica Laudato Si’, o Papa Francisco reafirma o que todos os biógrafos deixaram registrado sobre o Santo de Assis: Que ele soube viver a harmonia cósmica, pois viveu de modo único, a utopia da grande fraternidade cósmica, a relação fraterna com todos os seres da criação.

 

O título Laudato Si’ (Louvado Sejas) tem origem no Cântico das Criaturas, belíssimo poema-oração, onde Francisco de Assis louva Deus pela criação de todos os seres e aspectos do planeta Terra.

O documento papal, editado em meados de 2015, trata ao longo de 184 páginas dos cuidados com a casa comum, ou seja, sobre o planeta. O apelo do Papa é para proteger a casa comum. Para isso, depois de criticar o consumismo e o desenvolvimento irresponsável, ele faz um apelo à mudança, com a unificação das ações globais para combater as degradações nos variados ambientes, com implicações graves de ordem climática, social e política.

A senha inspiradora para os ecologistas de todo o mundo vem no cântico-oração que compara a Terra a “uma irmã com a qual partilhamos a existência e a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços”.

Em vários capítulos a Encíclica resume a atual crise ecológica; o compromisso da tradição judaico-cristã com o meio ambiente; as causas da situação atual e as propostas da experiência espiritual cristã, para um novo estilo de vida.

Nestes últimos pontos se concentraram os variados comentários e opiniões dos participantes da mesa redonda. A ala feminina mesmo minoritária teve forte participação, com testemunhos e exemplos de mudanças práticas de vida, bastante convincentes.

 

  • Missa de Encerramento:

Às 18:00 hs de Sábado foi celebrada, antecipadamente, a missa de encerramento que, pela programação original ocorreria na manhã de Domingo.

O comparecimento foi em massa, até porque, quinze minutos antes, ocorrera a foto oficial do Encontro, com os Ex-Seminaristas e convidados.

 

O Ofício conduzido por Frei Nélson transcorreu em meio a uma atmosfera de particular misticismo, com dois momentos para relembrar, entre outros:

No primeiro, durante a Liturgia da Palavra, quando o representante da turma de 1958, José Eraldo Paiva fez comunicativa leitura da Carta de São Paulo aos Coríntios. Eraldo, calmo, com pausas exatas, firme e convincente, na interpretação da mensagem epistolar do apóstolo, declamou o texto a transmitir aos ouvintes. Um mestre-leitor!

Na Homilia foi a vez de Frei Nélson compartilhar momentos de inspiração. Os temas em destaque eram a Fé, Esperança e, principalmente a Caridade. E o oficiante foi intercalando, sob forte emoção, algumas ocorrências, testemunhadas por ele, no Encontro em curso, que já podia qualificar como um dos melhores entre os que havia participado. Começou narrando como um dos Ex-Seminaristas o procurou e ao longo da conversa foi às lágrimas, ao lhe contar a emoção, bem como o agradecimento pela bagagem espiritual e cultural adquirida dos inesquecíveis mestres de Agudos. De outro Ex-Aluno, com o qual se encontrara, logo no início do evento, ouviu que no seu retorno ao Seminário, após mais de meio século de ausência, a primeira coisa que fizera, fora dirigir-se à capela para, no mesmo banco e lugar que sempre lhe coubera, renovar orações e agradecimentos… E Frei Nélson por aí continuou movimentando-se vagarosamente pela nave central, parecendo dirigir-se a cada um em particular, olho no olho…

 

 

AMIZADE

Agudos – 2016: Modesto / Mário / German.

Agudos – 2016: Modesto / Mário / German.

 

Três Amigos de Frei Cosme participaram do Encontro de Agudos/2016, acompanhados das respectivas esposas.

  • Modesto / Elza
  • Mario / Nilda
  • German / Domitila

A aprovação unânime sobre o último Encontro estimulou o pequeno grupo à promessa comum de outro reencontro, em 2018, acompanhados de novos Amigos, para sempre renovar e fortalecer o espírito franciscano em cada um…

Paz e Bem, para todos!

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