3 de outubro de 2014Artigos, Destaques Sem comentários
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I – O Início da Missão

Aos 32 anos, o antigo seminarista Alois, que desejara ser missionário franciscano no Brasil, agora se chamava Cosme, Frei Cosme Ballmes, OFM.

Fazia um ano, desde que se ordenara sacerdote e durante esse tempo vinha colaborando em atividades diversas de evangelização e pastoral, na cidade de Petrópolis/RJ.

É de se imaginar, portanto, que o jovem frade, tenha ficado excitado e feliz, quando, no mês de novembro de 1938 lhe anunciaram que ele havia alcançado seu caríssimo objetivo vocacional: Fora designado para a primeira missão de campo, na remota localidade de Salto Grande, no alto vale do Itajaí, em Santa Catarina. Era uma região de mata virgem, cheia de cachoeiras e até há pouco, ainda habitada por esparsas tribos indígenas. Naqueles dias, porém, eram as terras muito férteis da região que atraíam centenas de agricultores, na maioria imigrantes alemães, dispostos a colonizá-las.

Acervo: Amigos de Frei Cosme

Frei Cosme: O missionário quando jovem.

Frei Cosme: O missionário quando jovem.

 

II – Franciscanos e Imigrantes Alemães

Para melhor entender a lógica da designação de Frei Cosme, para trabalhar junto aos colonos alemães, no sul do Brasil, cabe fazer uma rápida volta atrás na história.

Os Franciscanos já haviam marcado presença na Bahia, com Cabral, em 1500; na Baixada Santista, com Martim Afonso, três décadas depois e em Santa Catarina, por intermédio de missionários espanhóis, no período de 1538 a 1548.

No caso específico da Província Franciscana da Imaculada Conceição, que abrange os Estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, podem ressaltar-se duas épocas, com planejamentos e características bem específicas:

A antiga província, fundada pelos portugueses (1675 a 1890), priorizava a evangelização, com origem em grandes conventos missionários.

Já na atual província, restaurada a partir de 1891 – praticamente do zero, pois restara apenas um frade franciscano no Rio de Janeiro – o foco inicial foi a pregação do Evangelho, com base nas paróquias, escolas ou colégios confiados aos frades. Também havia equipes missionárias itinerantes.

Logo no primeiro ano da restauração, sob a coordenação geral dos franciscanos alemães da Saxônia, chegaram ao Brasil, os primeiros quatro frades. O quarteto pioneiro havia feito rápidas escalas de reconhecimento em Salvador, Rio de Janeiro e Santos, mas desembarcou, de vez, em Florianópolis/SC. O restauro começaria pelo Sul, onde o clima era mais ameno, europeu e os milhares de imigrantes patrícios, certamente colaborariam de forma afetuosa.

O reduzido grupo de freis se acomodou na pequena vila Teresópolis e em uma semana já celebrava missa, com pregação até em português. A comunidade, com vários outros povoados, era de colonização predominantemente alemã, em boa parte luterana.

Passados dez anos, em 1901, os freis vindos da Alemanha já eram mais de 200. Também passaram a chegar estudantes e noviços.

O seminarista Alois Ballmes, desembarcaria em terras brasileiras em 1929.

Nos dois primeiros anos permaneceu em Rio Negro/PR, os três seguintes, já noviço de batina, seriam em Rodeio/SC e, na continuação, mais dois, até a profissão solene em Curitiba/PR. Finalmente dois anos, estudando teologia, em Petrópolis/RJ que culminariam com a ordenação sacerdotal em 29 de novembro de 1937.

Acervo: Franciscanos.org.br

1891: Os quatro pioneiros da restauração da província.

1891: Os quatro pioneiros da restauração da província.

 

III – A Paróquia de Santo Estêvão

Este capítulo inicia abrindo um parêntese, com a finalidade de atualizar a nomenclatura geográfica do cenário a seguir. Isto porque o povoado de Salto Grande/SC, em 1948 virou município, passou a chamar-se Ituporanga, misturou mais um bom número de imigrantes italianos aos já estabelecidos alemães e hoje, com seus mais de 22.000 habitantes ficou famosa no Brasil, como a Capital Nacional da Cebola.

A história do vilarejo catarinense de Salto Grande (Ituporanga) – assim chamado devido a uma belíssima queda d’água, batizada com o mesmo nome – é relativamente recente. Sua colonização por agricultores alemães, teve início em 1912 e os frades franciscanos compatriotas ali se estabeleceram em 1926. Começaram em algumas capelas feitas de madeira, mas em 1929 já era instalada a Paróquia de Santo Estêvão. Dois anos depois se inaugurava a nova matriz e também um Grupo Escolar.

Mais alguns anos à frente, os livros paroquiais do Tombo e de Crônicas, registravam a chegada de Frei Cosme: 7 de dezembro de 1938.

(Reprodução/Internet)

Cachoeira Salto Grande.

Cachoeira Salto Grande.

Acervo: Paróquia Santo Estêvão

1931: Segunda Igreja - A capela antiga serve como capela mor.

1931: Segunda Igreja - A capela antiga serve como capela mor.

Acervo: Paróquia Santo Estêvão

1933: Grupo escolar Santo Antônio.

1933: Grupo escolar Santo Antônio.

Acervo: Paróquia Santo Estêvão

1939: Missões - Cemitério de Salto Grande.

1939: Missões - Cemitério de Salto Grande.

O novo frade coadjutor logo percebeu como precisaria das jovens pernas, para longas caminhadas, bem como de sua aptidão para cavalgar, onde e quando isso fosse possível.

O terreno era muito acidentado, irregular, dispondo de algumas poucas trilhas, por vezes intransitáveis. Por outro lado, a clima subtropical mostrava-se instável com frequência, durante as quatro pouco definidas estações. Os invernos, no geral eram úmidos e rigorosos, enquanto nos verões as altas temperaturas chegavam facilmente aos 35°C. Havia ainda o Rio Itajaí do Sul, com suas desastrosas enchentes.

Apesar de tudo, a arrancada da missão de Frei Cosme, na Paróquia de Santo Estêvão, deixou registros de alto significado quantitativo, junto com a sinalização de algumas tendências qualitativas, posteriormente confirmadas no apostolado desenvolvido nos morros de Santos.

Na parte numérica, podem ressaltar-se os 738 batizados e 191 matrimônios realizados. O que mais chamou a atenção do cronista, no entanto, foi a característica do jovem coadjutor, na persistência em visitar, de forma incansável, as capelas e os paroquianos mais distantes da sede.

Acervo: Paróquia Santo Estêvão

Dias Atuais: Igreja matriz da Paróquia de Santo Estêvão.

Dias Atuais: Igreja matriz da Paróquia de Santo Estêvão.

 

IV – Ajustes na Missão

Tudo parecia ir bem para o missionário franciscano, durante os primeiros passos pelos vales e montes de Santa Catarina.

Até que, em 1941, a insidiosa asma, incrustada há tempos em Frei Cosme, reapareceu com força redobrada. Os médicos consultados pouco fizeram além de recomendações para que mudasse de clima.

E assim, a Missão teve a rota mudada, para o devido tratamento de saúde, tanto em termos climáticos, como de recursos médicos.

Essa fase de cuidados durou dois anos e nessa etapa Frei Cosme circulou por Ituporanga, Santos e São Paulo, capital. Em Santos passou os dois maiores espaços de tempo. Na capital ficou alguns meses ocasionais, no Pari e Vila Clementino.

Depois de alcançar significativas melhoras na saúde, em agosto de 1943, Frei Cosme foi transferido para Mirassol/SP e na sequência, São João de Meriti / Duque de Caxias – RJ.

 

A retomada definitiva da Missão, em Santos, ainda esperou por mais cinco anos e meio.

 

Agradecimentos Especiais do Site

 

À Paróquia de Santo Estêvão, em Ituporanga/SC, nas pessoas de seu Guardião/Pároco, Frei João Pereira Lopes, OFM e da pesquisadora Maria Hilda, pelo envio das informações recolhidas nos livros do Tombo/Crônicas.


Fontes de Consulta

 

1) Livros do Tombo e de Crônicas da Paróquia de Santo Estêvão – Ituporanga/SC.

2) Site: http://paroquiasantoestevao.org.br

3) Site: http://franciscanos.org.br/?page_id=196

4) Acervo: Amigos de Frei Cosme

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